Criatividade em todos os sentidos
In: Pense nisso!
30 Aug 2009Vou falar um pouquinho do que foi talvez a maior quebra de paradigma que já passamos. Se não foi a maior, mas foi muito significativa, em que a verdade passou a ser definida através da experimentação, que realmente comprovava as hipóteses ou as descartava. Vou falar um pouquinho sobre Platão, Aristóteles e finalmente Galileu. Calma, não é debate sem sentido não, trata-se de argumentos vitais para tomarmos decisões mais justas atualmente. Começaremos então por Platão.

Platão
Platão considerava mais importante filosofar sobre as formas do triângulo do que observar o mundo à sua volta. Isso se dava porque ele considerava o mundo natural inferior ao mundo das idéias.

Aristóteles
Aristóteles, discípulo de Platão, deixou sua marca na história da ciência, porque discordou do seu mestre. Ele foi um dos primeiros a ir contra o desprezo filosófico pelo mundo natural.
Aristóteles dedicou à natureza uma atenção metódica e um requintado registro de suas observações.
Também usou sua lógica recém codificada para estudar a causa de cada coisa que observava e assim dar-lhe uma explicação racional e consistente. A partir dele a observação científica ganhou seu caráter particular, que a diferencia do olhar apenas curioso com que os homens sempre contemplaram o mundo. A observação científica é metódica, ou seja, segue um método, regras que definem o que, como e quando observar de modo a obter o máximo de informação e aprendizado sobre o que se observa.
Mas faltava algo no modo de fazer ciência de Aristóteles. A observação metódica e a conclusão racional, por si só, não garantem uma explicação correta sobre as causas e mecanismos dos fenômenos, uma vez que não podemos ter certeza se todos os fatores que influenciam o fenômeno em questão foram devida e corretamente observados e analisados.
É aqui onde entra Galileu. Com sua atitude, Galileu introduzia ao método científico uma de suas mais indispensáveis características - não basta uma boa observação e explicação de um fenômeno, é preciso que experimentos metódicos validem esta observação e explicação.

Galileu Galilei
Com Galileu a ciência ganhou um requisito a mais, agora ela se tornou experimental. O conhecimento a partir dele é obtido de modo empírico, ou seja, pela observação e experimentação do que percebíamos na natureza.
Foi com esta convicção que Galileu desafiou outro dogma aristotélico, a idéia vigente na época de que a Terra era o centro do universo e que o sol e as estrelas giravam em torno dela (geocentrismo). Esta idéia não era de Galileu, pois já havia sido anteriormente proposta de modo elaborado por Copérnico e Kepler. Porém com suas experimentações ele conseguiu comprovar a falha na teoria geocentrica e apesar de ser silenciado na época pela autoridade da inquisição, suas idéias permaneceram até hoje e cada pessoa que trabalha em uma instituição de ensino superior atualmente deve ter pelo menos a consciência que todo esse formato atual de ver o mundo foi bastante influenciado por Galileu.
Depois disso o homem passou a tomar consciência que o mundo não gira em torno dele, que não passamos de poeira se formos comparados com o universo a nossa volta, que dependemos de diversos fatores que muitas vezes nem imaginamos para continuarmos vivos.
Depois dessa introdução vamos ao que interessa. Se não passamos de poeira cósmica então vamos pelo menos ter uma noção do que a poeira é capaz, seja no ambiente de uma instituição acadêmica ou na sociedade em geral.
Devemos lembrar que uma única partícula de poeira, pode danificar todo o sistema de armazenamento do disco rígido.
Vamos fazer uma analogia dessa partícula de poeira com os egos super-inflados dos profissionais que não sabem o verdadeiro significado do título e se deixam levar por aparência, estatus e se escondem atrás dos cargos (eu falo sobre isso no meu post: caindo na real sobre a carreira ). Para piorar ainda mais a situação, existem algumas pessoas com espírito de porco, que não se esforçam para criar uma visão sistêmica (falo sobre visão sistêmica no post: chega de tanta reclamação) e participativa. Esse tipo de pessoa só sabe reclamar de tudo ao redor e não faz nada para melhorar o que está ao seu lado.
Esse tipo de profissional tem a mesma característica nociva que a poeira tem quando está presente dentro do HD. Quando esse tipo de profissional é valorizado em qualquer instituição, o ambiente fica poluído, injusto e e desumano. Assim como Galileu teve que admitir coisas que ele sabia que não era verdade na inquisição, esse sistema passa a idolatrar profissionais por meio de métodos que não são comprovados empiricamente. Esse formato está preso à lógica aristotélica de que basta que faça sentido ou que tenha lógica para ser comprovado, deixando a experimentação de lado.
Atrazos podem acontece em um país devido essa visão míope, sem experimentação. Um caso aqui no Brasil é a tentiva de regulamentar a profissão de analista de sistemas , dizendo que só poderá ser exercída por quem tiver passado pela faculdade da área de tecnologia (ciência da computação e afins). Lembrando que houveram também outras tentativas.
Isso é um retrato da visão aristotélica ainda presente. Se colocarmos as idéias de Galileu para funcionar, facilmente detectaremos que entre os maiores profissionais da informática, estão os que estudaram por conta própria (autodidatas), que não se identificaram com o sistema engessado das universidades e também profissionais de diversas outras áreas como Física, Matemática e Engenharia (Esse argumento de profissionais de outras áreas e outros argumentos são detalhados nessa carta).
Uma lei dessa é um atrazo para o País, pois nivela por algo que não comprova capacitação e comprometimento profissional (título), nivela na maior parte das vezes por baixo e isso é um retrossesso.
Agora vamos voltar a falar um pouco mais sobre a poeira.
Se individualmente somos compovadamente insignificantes comparados ao que existe ao nosso redor então a única coisa que poderá nos fortalecer e nos dá um propósito maior é que as nossas relações sejam baseadas no respeito, na consciência de que não somos perfeitos, na consciência de que temos que fazer algo para mudar para melhor os ambientes em que frequentamos. Agindo dessa forma encontramos uma parte do sentido da nossa existência que tanto buscamos e passamos a nos sentir integrados, úteis e finalmente humanos.
Uma analogia que podemos fazer é uma duna na praia, um só grão de areia não poderia dar conta. A única forma de se conseguir a beleza natural de uma duna é por meio de milhoes de grãos em conjunto.

Dunas de Genipabu - Fonte: Sônia Furtado
Colocando esse paradigma para a instituição de ensino significa que todos os integrantes da instituição devem ser tratados primeiro como seres humanos e segundo pelas tarefas que estão executando. Você pode está pensando: Cadê o título? O título não entra nesse paradigma, pois estamos usando o método de experimentação iniciado por Galileu. Então vamos continuar a discussão sobre experimentação.
Apesar do título servir para contratação no nosso país. Devemos nos lembrar do principal papel de uma instituição de ensino: preparar os estudantes para o futuro.
Baseado nessa premissa iremos detectar de forma contínua se os professores com os maiores títulos estão realmente preparando os alunos, construindo uma relação baseada na liderança, na participação ativa dos alunos, enfim, criando um formato mais humano de aprendizado.
Fazendo esse experimento podemos detectar até que ponto aquele profissional realmente está vestindo a camisa da instituição e está contribuindo para o seu crescimento. Passaremos do formato aristotélico de “Tenho o título portanto sou bom e o universo gira em torno de mim”. Para “Consegui minha titulação, porém isso quer dizer que agora minha responsabilidade com relação as pessoas e o ambiente ao meu redor aumenta, tenho que me comportar com respeito, tendo consciência de que sozinho não sou nada e preciso orientar as pessoas ao meu redor para que possamos crescer em conjunto.”
No exemplo que coloquei anteriormente da lei dos profissionais de informática, fica claro que ela não tem base na experimentação e tudo que não puder ser comprovado por experimentação é duvidoso e pode ser prejudicial para a nossa sociedade. No caso da lei é óbvio que ela nivelaria os profissionais de informática de nosso país por baixo, colocando gente incompetente (Obs.: Nem todos são incompetentes, o argumento é que o título não garante competência) para assumir cargos só porque elas possuem um pedaço de papel que não condiz com a realidade, já que a realidade só pode ser comprovada com a experimentação, aquela mesma que Galileu nos deixou de presente.
Quero repetir agora o título do post: Vamos honrar Galileu! Isso quer dizer vamos honrar suas idéias e questionar idéias enlatadas, vamos nos permitir e só aceitar algo depois de experimentações. Vamos tomar consciência que não passamos de poeira, que um único ser quando age de forma mesquinha, pode causar danos a todo um ambiente de trabalho, sociedade, mas que nossas forças em conjunto pode nos impulsionar para nosso crescimento como seres humanos.
Why the lucky stiff
Para finalizar quero repetir aqui uma frase do “why the lucky stiff” ou simplesmente _Why, que é um artista e um excelente programador, tiradas do seu twitter que foi deletado:
When you don’t create things, you become defined by your tastes rather than ability. your tastes only narrow & exclude people. so create.
Quando você não cria coisas você acaba definido por seus gostos ao invés de suas habilidades. Seus gostos só reduzem sua visão e excluem pessoas. então crie.
Páginas pesquisadas:
Geyserway = Desenvolvimento Web + Negócios + Tecnologia + Administração + Finanças + Marketing + Vendas + Reputação + Gostar de Servir
1 Response to Vamos honrar Galileu!
Leandro Romanzini
September 8th, 2009 at 7:08 pm
Belo texto. Parabéns.